Em 1967 fui
estudar num colégio chamado Taylor-Egidio
pertencente aos Batistas Brasileiros. Era um crente convertido no ano e 1966,
nos primeiros dias de lutas e aprendizado que jamais chega ao fim.
Certo dia fui
chamado pelo Pastor Esmeraldo, então pastor da Igreja Batista de Jaguaquara, o
qual me incumbiu de ir pregar na Igreja Batista de Lafaiete Coutinho que ficava distante, porém muito mais perto de
Jequié.
No sábado
arrumei a humilde maleta e lá fui eu. Desci naquela ermidão deixando a estrada
que seguia para Jequié, no ponto de desembarque, à beira da estrada para
Lafaiete Coutinho cujo nome antigo era Três
Morros. Apaixonei-me logo pelo nome.
Sempre fui
considerado apressado. Esperei alguns longos e eternos minutos à beira da
estrada de chão batido que conduz à cidade e, depois de aguardar um transporte,
que era raríssimo, e quase inexistente, resolvi, na minha costumeira solução de
apressado, contar até cem, ao cabo da contagem viesse ou não o transporte eu
iniciaria a caminhada a pé.
Terminei a
contagem. O dia declinava aquele sol típico da região e então comecei a
caminhada pela estrada indicada rumo a Três Morros. Andei. Fora informado que a
estrada se alongava por três léguas. Caminhei, caminhei e caminhei sozinho
enquanto o dia declinava na mornidão avizinhada da noite e fui andando de olhos
fixos na estrada e na idéia da pregação e da cidade. Adiante, na curva de uma
estrada, apareceu uma mulher horrivelmente trajada, cabelos sem pentear e
partiu para cima de mim com uma enorme faca, ameaçando me matar.
Tentei
argumentar com a mesma, relutei em como agir, pensei em correr, mas desisti;
permaneci estoicamente a defender-me dos golpes enquanto buscava chamar aquela
pobre criatura à razão. Era uma louca!
Desvencilhei-me,
não sei como explicar, acho que por livramento do Espírito Santo e reiniciei a marcha batida com a louca lá
atrás a perseguir-me, mas distanciando-me. Nada de passar um transporte. Nem
carros de bois. Nada.
Caminhei naquela
lonjura que me pareceu umas dez léguas. Daquelas que se diz nos sertões que o “Dinho esticou”. E nada de transporte que
eu já imaginava, por pura tolice, não aceitar mais. De repente, de longe, ao
aproximar-se da noite, arrastando eu os
sapatos no chão, cansado e estafado, eis que passa um jipão daqueles americanos
doados ao Brasil pelo governo norte americano. Neguei-me a embarcar nele. Já avistava
as luzes. Andei uma eternidade. Quando entrei nos limites da cidade por volta
de dezenove horas, não andava, arrastava-me.
Pedi informações
sobre a pensão aonde seria hospedado. Era de propriedade de duas irmãs bem
velhinhas; a única pensão da cidade. Bem humilde. Tomei um banho enquanto elas
providenciavam comida que consistiu em feijão dormido e envelhecido (sobra),
uma salada de tomates excelentes da região, não tanto maduros conforme pedi, e
um baita pedaço de carne de sol assada. Que repasto!
Em meio à
curiosidade das irmãs que eram dois corações maravilhosos, fui para meu humilde
quarto. Praticamente desmaiei na cama, de cansaço. Dormi como um justo! Manhã
seguinte, vesti minha roupa, terno e gravata, conforme era costume nosso, nas
nossas igrejas ,e fui para o templo humilde. Havia pouco mais de seis pessoas.
A Igreja era bem pequena e não se desenvolvera muito. Irmãos não conseguiam
renovar nem ganhar almas para Cristo. Preguei para aqueles irmãos. A noite de
domingo; preguei na mesma Igreja. Fiquei de voltar. Ganhei algumas almas para
Cristo.
Jamais retornei
aquele lugar. Mas o nome ficou marcado na minha cabeça. Hoje, passados 49 anos,
me assaltam os pensamentos, e me recordo tanto, e tento encontrar, pela
internet, em vão.
Belos dias da
juventude.
Adeus.
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