O que você quer saber sobre História?



Este blog tem como objetivo discutir História, postar artigos, discutir assuntos da atualidade, falar do que ninguém quer ouvir. Então sintam-se a vontade para perguntar, comentar, questionar alguma informação. Este é um espaço livre para quem gosta de fazer História.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

GALOS NA MADRUGADA.

                                     

        Atualmente acordo nas madrugadas, espantado o sono, obrigando-me a pensar e a repensar a existência. Normalmente quando acontece no meio da madrugada, tenho sentido um fenômeno muito interessante ao escutar os galos daqui cantando.
        Quando eu era um garoto vivendo nos sertões itiubeiro, costumava, quando despertado nas madrugadas ficar a ouvir os galos cantando e amiudando. Era um verdadeiro espetáculo que jamais me saiu da mente e das recordações boas. Bem verdade, tenho de dizer que, naqueles tempos, em Itiúba, dificilmente as famílias não criavam galinhas e galos de quintal. Havia uma fartura. Primeiro, os vizinhos não ficavam importunados pelo canto dos galos dos demais. Afinal de contas, todos criavam e ouviam os cantos indistintamente. Porém, isto ocorria porque uma verdade tem de ser dita: Ciganos não armavam acampamentos dentro das cidades, ou seja, dentro dos perímetros urbanos, de modo que não podiam roubar, muito menos, furtar galos e galinhas, daí existirem em profusão. Hoje não: ciganos são considerados cidadãos e mandam e desmandam nas cidades impedindo o livre curso e as relações civilizadas, se estabelecem com suas vidas degradadas nos bairros e ruas e se misturam ao povo das cidades como se fossem cidadãos uteis e decentes. Daí não permitir que as pessoas criem galinhas e outros bichos miúdos.
          Mantive o costume campestre de criar galinhas caipiras no meu amplo quintal, de vez em quando torço o pescoço para degustação primorosa, já que sou inimigo de hormônios e dos venenos das rações das galinhas ditas de granja, verdadeiras buchas e bombas a envenenar o brasileiro desinformado, mas devo dizer que não crio galos, isto é o dito macho, o dito cujo, deixando minhas pobres penosas numa penúria sexual de arrasar, só para evitar importunar os vizinhos, uma vez que, hoje os vizinhos se sentem incomodados com coisas simples e de tudo reclamam, até do cantar dos galos.
         As minhas galinhas são criadas com luxo inaudito, mas não possuem galos que disputarem suas preferencias sexuais, pelo que sinto dó das bichinhas obrigadas a vidas absolutamente castas e longe das tentações sexuais dos seus galos em porfias e disputas femalescas. Devem sentir uma falta desgraçada, porém, ouço, nas madrugadas, vindo de distante, algum cantar galistíco fazendo-me relembrar a distante cidade e sertão itiubano.
         O cantar dos galos daqui, soa quase um esganar. Nada parecido com aqueles peitos possantes dos galos sertanejos, nem aquela melodia que parecia fazer com que os galos oferecessem verdadeiras sinfonias e pareciam disputar os cantos mais longos e mafiosos. O bater das asas e o roçar dos esporões completavam o espetáculo dos nossos galos. O cantar dos daqui, são quase imperceptíveis, esganados, engasgados e curtos, sem maviosidade qualquer, de sorte que sai aquele canto merencório, quase como se estivessem sendo estrebuchados com mão misteriosa, movidos e desinteressante, que não nos consegue relembrar as coisas que aconteciam no amiudar dos galos nas madrugadas sertânicas.

        Por outro lado, não existe aquela maranha dos sertões, aquela confusão de cantos e bater de asas, como o rufar dos possantes tambores das guerras, sendo os cantos pausados e distantes, quase uma eternidade nas madrugadas que os cabelos brancos, as cãs e a neve nas nossas cabeças, quais renitentes e saudosos nos conduzem às recordações.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

BRASIL - UMA NAÇÃO FALIDA

                             

         O Brasil é um país verdadeiramente surpreendente. De povo absolutamente tacanho e afastado dos centros das decisões políticas que lhe afetam, se distancia dia a dia da realidade crua e azeda que nos atinge diretamente como povo. Pagamos os mais escorchantes impostos do mundo para sustentarmos os Três poderes da república que são as sanguessugas maiores da nação. Quando operários e professores, além de militares fazem movimentos paredistas para reclamarem atualizações salariais, as policias são enviadas pelos governantes para atacar com desumanidade os reivindicadores como bombeiros, professores, garis, comerciários. As negociações, quando ocorrem, demoram meses e até anos para os governos concederem aumentos de 2%, 3% quando muito, um mísero 5% sob as mais repugnantes e deslavadas desculpas de que a seguridade social será quebrada, que os pobres consumirão mais, que   trarão a inflação de volta, que a previdência quebrará, que as contas do tesouro não podem pagar.
         Segundo capítulo: Quando juízes e políticos (executivo) enviam cartinhas ao poder central imediatamente os aumentos são concedidos civilizadamente. Os poderes que estão corroendo o Brasil são, pela ordem: Primeiro, o Executivo, que reúne o de mais ordinário e criminoso ao seu derredor, verdadeiros bandidões que exercem cargos em seus benefícios, formando as matilhas, os cães do poder, os subordinados e sacripantas que assacam e atassalham a nação em proveito dos interesses próprios e dos grupos,  em nome do povo que está bem distanciado. Em  segundo lugar o velho e asqueroso apodrecido Judiciário, cansado e, corrompido e, coator a proteger as maracutaias dos governantes e políticos. Eles estão trocando favores entre si para não aplicar a lei em favor do povo e em desfavor dos privilegiados. O terceiro segmento é o Legislativo que aplaude tudo quanto é imoralidade do Executivo e acata todas as determinações estapafúrdias do servil e desmoralizado Judiciário.
         Não tem o brasileiro nenhum poder que o livre das garras nem da rapinagem  dos Três Poderes da República falida. Ganham exorbitâncias enquanto permitem que um professor com dois ou mais cursos superiores fique a ganhar R$1.000,00 por mês, quando muito ou manter o salário mínimo em menos de R$800,00 mensais.
         Insensíveis, são incapazes de compreenderem, encerrados  pelo seu egoísmo em que se fecharam, das necessidades básicas de um povo que também sonha e tem o direito de viver bem. Organizados em quadrilhas e matilhas se compõem em órgãos colegiados que asseguram toda sorte de falcatruas e a premiação da impunidade nessa república de desigualdades e de crimes encobertos sob o “ manto da toga da justiça brasileira”.
         A república fede, está putrefata, nojenta e nauseabunda. Esta decomposta, nua, fajuta,  suja, imunda, sem rumo e sem norte. Cada homem público parece disputar a iniquidade e a capacidade de suplantar uns aos outros. Tudo fede, tudo fossiliza e se esmaece na ausência de vontade de mudar e de se redimir. A nação está atolada na miséria e na infâmia, na mais degradante imoralidade e na mais crassa incivilidade e crueldade social aplicada contra o povão.
         Embora tenha eleições, falcatruas e a ausência de boa fé se espalham pelo território na certeza de que são fraudadas e, que mesmo havendo eleições os homens eleitos sempre são cooptados para a degradação moral e espiritual. Ser santo e ser decente parecem ofender os mandatários do país, enquanto eles embasbacados vicejam seus filhos na continuidade corruptiva deixando e permitindo que os conceitos de civilidade e mortalidade sejam decompostos nas valas comuns da imoralidade aceita e praticada pelos lideres e pelos que determinam a nação. 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

PULLU – O ANDARILHO


        Uma das mais vivas recordações da infância itiubeira sertaneja, é a de um homem, uma população assombrada e um homem simples e mirrado de apelido Pullu.
        Ocasionalmente o Pullu assombrava a cidade ou a punha em polvorosa com notícias de mulheres que foram atacadas, estupradas e mortas por ele conforme se afirmava no tempo. As noticias vinham da zona rural e chegavam à cidade com a força do impacto da moral vigente cheia de recatos e boas práticas desconhecidas do mundo atual .
       O Pullu era um home mais para andarilho com problemas mentais que costumava se vestir com várias roupas, umas sobre as outras, e, assim, saia pelas estradas da sua região, do Povoado de Cacimbas, bem próximo da cidade de Itiúba, levando nas costas sacos de roupas e outros petrechos.
       Quando atacava a sua doideira, o Pullu deixava sua casa e parentela dando lugar a toda sorte de boataria que lançavam sobre o pobre. Nunca, na verdade, ninguém o viu atacando ou matando, muito menos estuprando mulheres da zona rural ou de outra localidade. Jamais se provou tenha o Pullu causado qualquer nocividade a quem quer que fosse.
      Conheci-o bem. Era um sujeitinho branquinho, mirrado, mãos finas de quem nunca pegou no pesado, que naqueles tempos era a enxada das roças, dono de umaface pequena e um pouco encaveirada, olhos azuis claros e fala mansa, mas muito mansa mesmo, de uma educação de gestos impressionantes, a sair pelas casas a pedir um prato de comida e um copo com água. Costumávamos entabular pequenos papos com o Pullu, não obstante sua má fama, cheios de desconfianças daquele simples e miúdo homem,pois que, ele se encerrava num mutismo que nos incapacitava de travar bate papolongo ou até mesmo mediado.
      Pedia água e comida indo de porta em porta, isso quando raramente aparecia uma vez por ano, sendo diversas vezes preso na cadeia local onde passava dias até os seus familiares de lá o retirarem, mas não que o Pullu tivesse feito algum mau. Pura má fama. Nada mais.
      O Pullu sumiu no oco do mundo. Dele apenas a lembrança de um tempo que virou na esquina da vida com as lembranças e recordações.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

MARIA CESAR – A PARTEIRA

 Antigamente se dizia assim: Maria Cesar a maior parteira de Itiúba. Hoje não; jaz no esquecimento, porque as pessoas são esquecidas, assim que descem à sepultura ou deixam as suas práticas. Nasci no sertão itiubano. Sou, portanto, itiubano da gema, se você se aborrecer com o adjetivo pátrio, chame-me de itiubense, pouco importa, e,vim ao mundo pelas mãos de uma outra grande parteira chamada “Mãe Teodora”. Pois é, é assim que chamávamos as parteiras que nos “pegavam”. Fui “pegado” pelas mãos da gloriosa mãe Teodora, mulher rija, de fala grossa e gutural, dessas escaveiradas, a distribuir “Deus lhe abençoe” a molecada respeitosa e severa, quando passava apressada,de andar pelas madrugadas e pelas poeirentas estradas sertânicas a assombrar espectros e a abrir caminhos para esperar os rebentos com peitos de aço que vinham ao mundo.
       Hoje são esquecidas. Mãe Teodora “pegou” muitos milhares de filhos que nasceram em Itiúba e cidades circunvizinhas. D. Maria Cesar que na verdade não era Cesar, mas, Maria Batista Cirne Maria, o que deixavao marido Joaquim Brandão azucrinando e chispando fulo da vida, era assim conhecida desde a sua mocidade, mulher que fora do seu marido esposa Manoel Cesar, sujeitinho infame e miserável de uma perversidade e crueldade dessas de assombrar corações humanos. Viuvou e casou-sed. Maria com meu pai Joaquim BrandãoCirne que não perdoava ninguém que chamava sua esposa amada de “Maria Cesar”. Retava-se, atanava-se, consumia-se deixava de atender as pessoas, mas simplesmente tinha, ou melhor, teve de conviver a vida inteira com o apelido da sua esposa que fora casada primeiro com outro. Coisas da vida. Curioso é que Mãe Teodora foi a parteira que “pegou” D. Maria Cesar. Ironias da vida.
Maria Cesar – a parteira “pegou” o seu primeiro “filho”, no ano de 1945, de uma mulher chamada Berosa, prostituta pobre e miserável que estava a parir abandonada de tudo e de todos, sem nenhum socorro”. Lá se foi D. Maria Cesar e fez o seu primeiro parto. Depois, se seguiu uma cambulhada, de roldão, a mão cheia, menino que nunca acabanava de nascer em Itiúba. Inicialmente fazia partos as escondidas do marido com medo de represálias coisa que nunca passou pela cabeça do grande e fabuloso Joaquim Brandão. Maria Cesar afazia até oito partos por dia conforme a safra, pois quem naqueles tempos se fazia menino a rodo.
         Ensinou e orientava os estudantes de medicina do antigo e findo Projeto Rondon que vinham de São Paulo e do Rio com catas de recomendação do Ministério da Saúde. Hoje são menosprezadas e chamadas de “aparadeiras” e outras adjetições infames e humilhantes para lhes retirar os brios e a boa fama. Sem parteira, especialmente uma de nome Maria Cesar, mais de 27 crianças não teriam vindo ao mundo na segurança daquelas mãos firmes que lhes esperava com uma doce saudação. Obrigado D. Maria Cesar.
        D. Maria adquiriu certa notoriedade e começou a vir gente até da Bolívia. Fez uns três partos internacionais. Poisé, a mulher era uma danada mesmo. Sua vida toda ela “pegou “ mais de vinte e sete mil meninos e meninas. Repito: 27 mil crianças que ela “pegou” com amor, carinho e denodo, do lar rico ao mais pobre e miserável ela entrava com honras levada por aflitos maridos, amasios, safardanas, vagabundos, fazedores de filhos e raparigueiros. Não tinha essa de condição social. Maria Cesar não lhes olhava as caras nem queria saber se casados ou não. Não sabemos às vezes em que as prostitutas foram ajudadas, e, feitos seus partos por D. Maria Cesar. Nada recebia, salvo alguns trocados quando e se aprouve os maridos mais abonados.
        Maria Cesar chorava para fazer caridade, socorrer as mulheres e proporcionar-lhes alívios e alegria. Mantém todos os seus partos registrados em livros enormes, cujos registros eram feitos por seu marido, tornando referencial para registros púbicos civis dos que nasceram pelas mãos da parteira Maria Cesar.

        Quando você falar ou escrever esse nome, persigne e respeite o nome. Já que respeito e consideração são moedas de desvalorização junto ao esquecimento.

domingo, 26 de outubro de 2014

Carta ao Bertinho

 Meu caro Bertinho, itiubano de quatro costados. Estou escrevendo para dizer que não fui ver aquela minha "namorada" a que tanto já lhe falei e escrevi no meu blog, assim como no "Sítio Serra da Itiúba do meu tempo".
"Vosmecê"como bom itiubeiro que é, também itiubista de cepa, é apaixonado pelo passado que se distancia dia a dia mais, num rasgo de aprovação e complacência, forneceu-me o endereço da "dita senhora". Após a operação que fiz, e, tendo voltado do lado de l´, do vale da sombra da morte, aonde fui peregrinar, mas fui recusado entrar no Paraíso, resolvi, em meio ao torvelinho da convalescença deixar a respeitável Senhora no seu merecido canto, nos seus mais de oitenta aninhos.
A razão é bem simples e tua cabeça de paquidérmica inteligência já' compreendeu e captou a decisão na irrevogabilidade desse escriba e apaixonado, não que os "amores "acabem, mas tem como mortal comum e miserável que voltei redobrado, após ser operado com a perda de um pedaço de pulmão sertanejo, pelo que numa reflexão mais profunda e madura, ponderando que o Doutor Carlinhos Accioly, filho da minha dileta, querida, amada e inolvidável Professora Zenaide não iria, a essa altura da vida deixar-se impressionar pela chegada de um cara a sua casa dizendo-se "namorado da sua mãe", com risco a determinar a morte do "desconhecido" sem readentrar o seu espaço sagrado, e, pior, mexer e remexer em velhos baús de recordações mortas da Professora querida, de sorte que fiquei a matutar e a pensar o Carlinhos com cara de paisagem, cheio de dúvidas sobre o total e abissal esquecido Max que nem ele mais se recorda, embora tivéssemos lá pela altura do nascimento da minha paixonite aguda, 8 a 10 anos quando frequentávamos a mesma Escola Góes Calmon de Itiúba, exatamente quando fui tomado de amores pelas letras e... pela inesquecível Professora Zenaide, na cegueira do amor platônico, do menino ensandecido por aprender aquela sublime arte que se embeveceu pela Professora, portanto sua mãe. São mais de sessenta anos decorridos, cara!
Receei então do danado ali mesmo na Pituba mandar-me prender-me a ferros e me devolver a África ou quando muito metido e em ferros num porão de navio, pudesse, ara piorar a situação obrigasse-me nadar até a África, como castigo inaudito e extravagante sendo obrigado ver o outro lado do mundo desterrado e apenado coisa que deveria começar pelo escárnio do mar da Pituba a vista de todos e ao escarmento dos seus vizinhos e policia.
Como a música do Gil, aliás bela versão americana, resolvi deixar pra lá e esquecer tudo, devendo manter aquele período de sonhos e devaneios no terreno do mero platonismo de um menino desavisado e desabrochado para a vida e para a sensibilidade do amor inocente sem as marcas do "Eros", mas do puro e fraternal "Agapau".É, meu caro itiubeiro Bertinho, fique absolutamente certo que o endereço que "vosmecê" me forneceu serviu muito, não obstante, quero e desejo deixar meus sonhos parados em suspenso no passado, em que devaneios nos apertam os corações, dão nós na garganta, mas que fiquem absolutamente intocáveis na sacralidade do menino que nunca foi "correspondido "do que não existiu de verdade, assim permanecendo na doçura de tempos idos e inocentes, sem a mácula da infâmia ne da maldade, temendo, outrossim, meu caro que o Paraíso permaneça somente para os imortais. E, como "vamecê" bem sabe, minha Professora Zenaide é imortal com todas as letras.
Quanto ao mais atento subscrevo-me na conterraneidade mesma , embora a distância nos impeça de um estreito e apertado amplexo regado à mais pura saudade. No conforto da sua esposa e da sua vidinha de fazendeiro temporão, receba então aquele abraço do
Max

Vavá Brandão

QUEM CONHECE ITIÚBA NÃO PODE DESCONHECER UM HOMEM SIMPLES E SIMPÁTICO DE APELIDO E NOME, VAVÁ BRANDÃO. PESSOALMENTE CONHECI-O QUANDO ATENDENDO A SUA ESPOSA FINDA, POIS JÁ NOS DEIXOU, RESOLVEU JUNTAR MALAS E CUIAS, SE ABOLETOU NUM CAMINHÃO VINDO SE ESTABELECER EM ITIÚBA, TERRA DA SUA AMADA, AÍ FIXANDO RESIDENCIA E SE VICIANDO EM ITIÚBA, POIS QUE Itiúba É ALTAMENTE VIVIANTE, NA SUA RESIDENCIA NUM ELEVADO, BEM NO ALTO DE UM DOS CABEÇOS DE UM MORRO DOS TANTOS QUE CERCAM E CIRCUNDAM A TERRINHA QUAL MEDIEVALESCO MURO DE PROTEÇÃO.
ESTREITAMOS A AMIZADE EM 1964 QUANDO SAÍ DO SEMINÁRI DE APUIPUCOS AONDE ESTUDEI, EM RECIFE E ME ABOLETEI, POR UNS TEMPOS, NA CASA DO MEU PAI. POIS BEM, UM DIA BATENDO PÉS E ESTRAGANDO SAPATOS CHEGUEI A PREFFEITURA MUNICIPA QUANDO AVISTEI, NUMA DAS SALAS, MUITOS, MAS MUITOS LIVROS NO IBGE QUE TAMBÉM LÁ FUCIONAVA E, DAS ABARRROTADAS ESTANTES DE LIVROS EMERGIU A FIGURA SIMPÁTICA DO SENHOR VAVÁ BRANDÃO QUE SE RESPONSABILIZAVA POR AQUELES MAIS FINOS ACEPIPES E IGUARIAS QUE AÇARBACAVAM SABORES E GOSTOS, ACEPIPES E COMILANÇAS, À FARTAR, IMPECAVELMENTE ORGANIZADOS NAS ESTANTES E PRATELEIRAS, EM FORMA DE LIVROS. LIVROS E MAIS LIVROS, A MÃO CHEIA COMO DIRIA O POETA OLAVO BILAC.
O AMÁVEL, FINO, NOBRE E ALTAMENTE CAVALHERESCO VAVÁ BRANDÃO ACOLHEU-ME E CONVIDOU-ME A ADENTRAR PORTAS DO SABER E DO CONHECIMENTO, EU MENINO DE 17 ANOS, EXPLICANDO-ME, SOLICITAMENTE, QUE TAIS LIVROS E ACERVO ERAM PARA CONSULTA E MANUSEIO DO POVO, MAS QUE INFELIZMENTE AS PESSOAS QUASE NÃO OS LIA.
EMPRESTOU-ME LOGO UM LIVRO, SOB RECOMENDAÇÃO DE APURADA LEITURA. SE NÃO ME ENGANO -OS MISERÁVEIS - DE VICTOR HUGO. LEVEI-O PARA CASA E LÍ PRESSUROSAMENTE E AVIDAMENTE EM MENOS DE OITO DIAS AS SUAS MAIS DE 1000 PÁGINAS, EMBEVECIDO E ATORDOADO COM A BELEZA, TALVEZ DA LEITURA DA MINHA PRIMEIRAA LITERATURA INTERNACIONAL, AO CABO DO TEMPO DEVOLVENDO-O E LEVANDO OUTROS E MAIS OUTROS QUASE CONSUMINDO AQUELE ACERVO MARAVILHOSO DO IBGE.
SEU VAVÁ QUASE TEM UMA SÍNCOPE EM VER UM MENINO QUASE COM TANTA FOME DE SABER E CONHECER. RESULTA QUE NOS APROXIMAMOS RESPEITOSAMENTE DE SORTE QUE A SOMA DE ANOS DE AMIZADE E CAMARADAGEM ULTRAPASSA OS 50 ANOS DE PURA AMIZADE.
INFELIZMENTE A ULTIMA VEZ EM QUE ESTIVEMOS JUNTOS FOI EM SUA RESIDENCIA, SEU CASTELO MEDIEVALESCO DESAFIANDO LEI DA GRAVIDADE SOBRE AQUELE PLATÔ DO MORRO ENCIMADO DE AMOR ECARISMA CUJA MASSA FOI ALICERÇADA NA ARGAMASSA DO AMOR E DA COMPREENSÃO QUE O ENCONTREI CHOROSO E LÂNGUIDO A DESPEDIR-SE DA SUA AMADA ESPOSA E COMPANHEIRA QUE TANTOS FILHOS LHE DERA, QUE JAZIA MORTA, TIRANDO-NOS ASSIM, MERECIDAMENTE E JUSTIFICADAMENTE, A OPORTUNIDADE DE DESENVOLVERMOS LONGOS E SADIOS BATE-PAPOS QUE NOS CARACTERIZARIA QUANDO NOS VÍAMOS, NEM PUDE NEM ME ACHEI NO DIREITO DE MONOPOLIZAR SUAS ATENÇÕES QUE SE VOLTAVAM PARA AS PESSOAS QUE IAM PRESTAR SEU ÚLTIMO ADEUS E PREITO DE GRATIDÃO À AMADA E DENODADA QUE PARTIU. O AGENTE DO IBGE PERDIA ALÍ SUA ESPOSA E MUSA, E EU NA QUALIDADE DE VELHO AMIGO, E, ELE COMPADRE DOS MEUS PAIS, NÃO PUDEMOS DEIXÁ-LO SEM A MINHA PRESENÇA E DOS VERDADEIROS AMIGOS AJUDANDO-O A DEPOSITAR O INERTE CORPO DA SUA COMPANHEIRA DE TANTOS ANOS, LEVANDO-O, APENAS OS RESTOS MORTAIS AO CEMITÉRIO LOCAL.
ALÍ DEPOSITADO O FÉRETRO DESEJAMOS O NOSSO "REQUIENSCAT IN PACE" NA ESPERANÇA QUE A TODOS NOS MOVE ATÉ O DIA DO JUÍZO.
QUANTO AO AGENTE APOSENTADO DO IBGE QUAL JEQUITIBÁ DOS SERTÕES, LÁ SE ENCONTRA PLANTADO E DANDO FOLHAGEM AUSCULTANDO APENAS OS ECOS DE UM MUNDO SEM LEITURA QUE PERPASSA CEGO E ALHEIO AOS ACONTECIMENTOS.
AVE, POIS MEU AMIGO VAVÁ BRANDÃO.
E, POSSO CONTINUAR DIZENDO: MUTO OBRIGADO, CAMARADA.

o vale da sombra da morte



POSSO FALAR DELE, DELE VOLTEI.  ANDEI E PASSEI POR ELE NO DIA 13 DE OUTUBRO DE  2014, BEM RECFENTINHO. PRIMEIRAMENT ÍAM ME REIRAR 3/4 DO PULMÃ DIEITO. NÃO O FIZEAM; APENAS CORTARAM MENOS DE 1/4. ALELUIA.
JÁ ESTAVA ME PREPARANDO FAZIA ALGUM TEMPO PARA O DESENLACE. DIA 13 ÀS 13;30 HS A ENFERMEIRAORIENTOU-ME A TOMAR BANHO, EM SEGUIDA DEPILOU-ME O EITO E A BANDADIREITA DO TORAX. ALGUNS FAMILIARES NAS PESSOAS DA CUNHADA JOSELITA, FILHOS ALZI, DICA E JÚNIOR, IRMÃO BEBECO, SOBRINHA CAROLINA E A COME-FEIJÃO-COMIGO, NA COMPANHEIRA ZÉLIA QUE FORMAVAM A COMISÃO DO BOTA-FORA, DO LEVA AO HOSPITAL. ALEGRES CONVERSAS NÃO PERMITIAM, POIUS EU NÃO DEIXAVA, QUE NINGUÉM SE ABATESSE.JACATANCIEI-ME DIANTE DA PRESSÃO QUE MEDIA 13 POR 8 ACHANDO-A ALTA ENQUANTO MEU IRMÃO ME ELOGIAVA A DIZER QUE EU ERA UM SUJEITO DE FERRO. BEBECO É UM SUJEITO MOFINO E MEDROSO QUADO SE TRATA DE ASSUNTOS MORTUÁRIOS. O SUJEITO TEM TODO MEDO DO MUNDO, FICANDO APENAS RINDO COM AQUELE SORRISO AMARELO ENQUANTO EU PENSAVA E ME ACHAVA HIPERTENSO.
SEGUREI A BARRA NO QUARTO DO HOSPITAL DA BAIA NÃO DEIXANDO NINGUÉM CHORAR, MUIT MENOS LAMENTAR NADA. SABIA QUE ESTAVA PARTINDO PARA UM PROCEDIMENTO CIRÚRGICO DA MAIS ALTA COMPLEXIDADE, MAS TAMBÉM SEMPRE FUI E STIVE PREPARADO PARA O QUE DER E VIEES. VIDA U MORTE BEIRAVA A MINHA INDIFERENÇA.RELEMBREI OS HINOS QUE DEVERIAM SER CANTADOS PELA MINHA IRMANDADE BATISTA, O TIPO DE SEPULTAMENTO, OS PALMOS EM NÚMERO DE 14 DE FUNDURA, O LOCL E SOLO INCLUSIVE QUEM PODERIAOU NÃO FALAR EM MEU VELÓRIO, DETALHES IMPORTANTES PARA PARTIR DESTE COM MUITA DIGNIDADE, ATÉ MESMO OS INSTRUMENTOS MUSICAIS QUE DEVERIAM SER TOCADOS.
ÀS 14;00 HS FUI OSTO NA MACA E E ONDUZIDO PARA A SALA OPERATÓRIA.ACENEI MALANDRAMENTE COM A MÃO ESQUERDA, DISCRETAMENTE COMO CONVÉM AOS CANDIDATOS À MORTE FÍSICA ATÉ DESAPARECER PELOS CORREDORES DO 6º ANDAR DO PRÉDIO DEIXANDO CARAQS DE PAISAGEM E SORRISOS AMARELADOS E DESEMGRAÇADOS ALÉM DAS IDEFECTÍVEIS LÁGRIMAS MAU DISFARÇADAS NOS OLHOS DA CAMBADA BOA.
FUI DEIXADO NUMA SALA ILUMINADA SENDO PASSADO EM SEGUIDA PARA OUTRA MACA DE FERRO DESCONFORTÁVEL E NU. PARA AZAR NÃO TINHA UMA ROUPA QUE COUBESSEM OS MEUS 1,86 MTS NEM MEUS 110 QUILOS DE SERTAQNEJO ITIUBANO.
O COLOSSO LÁ ESTAVA ENTREGUE A PERÍCIA E ALTA CAPACIDADE DOS MÉDICO, ESPECIALMENTE MINHA GRANDE MÉDICA A JOVEM QUASE ADOLESCENTE DRª VANESSA PRIMOR DE PAULISTANADANDO O MELHOR DA SUA VIDA PARA NÓS BAIANOS. O COLOSSO DEITADO LÁ ESTVA INABALÁVEL A ESPERA, TRANSLÚCIDO, SEGURO E INDIFERENTE AOS ACONTECIMENTOS, SEM MEDOS, SEM PÂNICO. PRESSÃO 13 POR 8.
UM ROSTO GENTIL APARECEU POR TRÁS. COLOCOU-ME UMA TÔCA NA CABEÇA, PEDIU-ME PARA DIER MEU NOME E MOTIVOS DE ESTAR ALÍ, NOME DA MINHA OU MEUMÉDICO, COISAS TÍPICAS DA SITUAÇÃO.
ERA UM GFENTIL E JOVEM MÉDICA ANESTESISTA QUE EM SEGUIDA ME FEZ MERGULHAR NO SONO QUE LEVA DIRETO AO VALE DA SOMBRA DA MORTE. DORMIA APENAS.
DIA SEGUINTE, TERÇA-FEIRA, ACORDO NA UTI. NÃO VI NEM OUVI COISAS ESTRANHAS, NEM SINOS, NEM ANJOS, NEM CEUS OU TERRA, NEM LUZES, NADA DE NADICA. SÓ A INDIFERENÇA DA VIDA E NADA MAIS. APENAS UM CORPO SENDO LACERADO PELO PRÓPRIO BEM E PELO TRIUNFO DA CIÊNCIA.
OBRIGADO MEU GRANDE SENHOR, EL SHADDAY.
VOLTEI DO VALE DA SOMBRA DA MORTE. DE LEMBRTANÇA SÓ UM TALHÃO SOB O BRAÇO DIREITO, DOIS DRENOS, UM PEDAÇO DE ULMÃO TIRADO POIS QUE O SENHOR DEUS OPEROU O MILAGRE E SÓ RETIROU MENOS DE 1/4 E UM CARA QUE DEPOIS DE ACORDAR, ACORDOU COM AQUELA FOME DOS RESSUCITADOS, DOS QUE VOLTAM DA MORTE E DE UMA IDEIA FIXA A COMEÇAR POR ADQUIRIR UMA HALLEY-DAVIDSO PARA DESAFIAR A EESTRADA NOS MEUS 300 QUILOMETROS POR HORA, POIS CHEGOU UM NOVO TEMPO. O PARAÍSO AINDA NÃO ME QUIS.
VALEU!!!