O que você quer saber sobre História?



Este blog tem como objetivo discutir História, postar artigos, discutir assuntos da atualidade, falar do que ninguém quer ouvir. Então sintam-se a vontade para perguntar, comentar, questionar alguma informação. Este é um espaço livre para quem gosta de fazer História.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

“MESTRE BUGUÉ !!!”


         
     Quem viveu em Itiúba, sabe de quem estamos falando. Quem é “menino” como este aposentado imerecidamente vivendo, ainda, conheceu ou ouviu falar no maestro Bugué. Moreno de bigodes, forte e espadaúdo, sem uma perna, perdida em acidente de trem quando trabalhava na construção da estrada de ferro do antigo Leste Brasileiro, sabe que faço referencia ao maestro Bugué.
     Exímio saxofonista, “seo” Bugué como o chamávamos fundou e era proprietário do “jazz band” que embalou os sonhos e devaneios nos bailes do nosso tempo em Itiúba e adjacências.
     Conheci-o muito. Compadre dos meus pais foi ele nosso vizinho por muitos anos. Seus filhos na figura de Zito, que se mandou para São Paulo ainda jovem; Cecília, que vive em Itiúba, foram meus coleguinhas de escola no Goes Calmon;  Buquezinho é vigilante no banco do Brasil, agência de Itiúba, tendo sido, mais recentemente, meu aluno no Colégio Ary Silva, quando da minha recente passagem por Itiúba de 2005 a 2009.
    Eram maravilhosas as aulas de música que recebi do “seo” Bugué, impulsionado por aquele desejo de aprender breves, semibreves, colcheias, cifrões, chaves de fá e de sol que a minha ausente falta de aptidão musical me indicou, mas que não fui adiante.
     O jazz band do “seo” Bugué fazia a festa. Marchinhas marciais, dobrados, polcas, maxixes e outros gêneros enchiam os ares de Itiúba quando ainda existiam coretos, os indefectíveis coretos da minha infância, hoje desaparecidos sem esperanças de voltarem um dia.
     Primeira aula falava sobre a música “como sendo a arte de transmitir os sentimentos através dos sons”. Aprendi essa verdade, e mais algumas cifras musicais, porém fui desencorajado pelos preconceitos do meu tempo que falavam que “todo músico morria de tuberculose ou cirrose hepática provocada pela cachaça”. Desisti.
     Hoje existe a Escola de Música Mestre Bugué. Muito merecidamente, imortalizando o nome do velho e infatigável maestro. No ano de 2009 antes de deixar a cidade, vi, ensaiando no centro da cidade, sob a batuta do seu atual maestro Egui Paixão, um bocado de pirralhos e juvenis executando os mais variados instrumentos musicais, em músicas divinas, repetindo, talvez ao gosto do antigo maestro Bugué, os mesmos sons. Tive de esconder o rosto vincado e anoso que escorria lágrimas emotivas, a voz embargada, tomado da mais viva e profunda emoção. Fiquei estático e sem voz. Disfarcei as lágrimas e emoções.
    Mestre Bugué está vivíssimo naquele “moleques músicos. Alguns, não se sabe como, conseguem segurar os próprios instrumentos, sob a regência do “Maestro Eguinaldo Paixão” que foi meu colega de escola e de infância. Hoje somos e estamos uns velhões, uns sessentões e tantos, chorosos e melosos, corações meio baqueados, descompassados e fragilizados, arrítmicos que cresceram ouvindo o mais puro som da bandinha do “seo” Bugué.
    Uma das coisas mais vivas e impressionantes que vi em Itiúba. A cultura continua e tenho sabido que a banda faz excursões periódicas pela Bahia sob a regência competente do também excelente trompetista da minha época e geração, merecidamente seu atual maestro, Eguinaldo Paixão que acumula advocacia e poetagem com a “arte imortal de transmitir os sons”. Melhor, ele continua fazendo com que a memória de “Mestre Bugué” continue aferrada aos nossos corações. Viva a Escola de Música Mestre Bugué de Itiúba.
     Quanto ao mais, que o Senhor me permita ainda ouvir o som daquela bandinha imortalizando dores e saudades gostosas do nosso passado que não pode nem deve morrer.
      Que continue vivendo “Mestre Bugué” em nossos corações.
Santo Antonio de Jesus, 22 de agosto de 2012.

Max Brandão Cirne (75) 8803-1829
ursosollitario@gmail.com

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

NEGROS – LÁ E CÁ


                                                                      
    Minha gente negra da qual sou descendente, hoje apelidada de “afro brasileira” perdeu a sua autenticidade e originalidade.Nos tornamos imitadores baratos na tentativa de nos igualarmos ao branco colonialista. Quem disse que o muro da separação f derrubado?
       Somos misteriosamente um país de racismo sem sermos racistas. Milagre inexplicável. Após sofrer processos de aculturação, fomos meramente domesticados de acordo com a vontade do “senhor de plantão”. Deram-nos umas cotas raciais e sociais, nos tornamos doutores, melhoraram os nossos salários e nos classificaram como pertencentes à classe média.
       A mulher negra brasileira, a mulata tão cantada e decantada em verso e prosa, simplesmente desapareceu do cenário baiano e brasileiro. Está em franca extinção. Não se me venha dizer que a culpaé exclusivamente da chapinha.
        Na Bahia que alguns sociólogos e artistas da enganação tanto  falam, criaram enganações e termos destituídos de pureza, pos despropositais tipo: “negritude baiana”, “democracia baiana””igualdade sem preconceitos” e outras embromações domesticadoras da minha gente de cor, conseguindo ludibriar a “africanidade” acumulando conformismos ideológicos, próprio dos dominadores.
         Nada de presidente, governador, ministros e outros de alto coturno. Puro conformismo.
         Nos EE. UU. O negro é muito aclamado nas competições internacionais, nas guerras como soldados e nos esportes, a exemplo do boxe. Os nossos negros aclamados estacionam no Pelé rico e bajulador de ricos e poderosos, tão racista quanto o mais racista branco, bastando ver que jamais se casou com uma negra. Suas mulheres todas brancas retintas, demonstram quanto um líder abominou a própria origem. Menos enganados e mais conscientizados, ao contrário dos meus irmãos negros brasileiros, descobriram que ao contrário da mulher branca que fazia um ou dois filhos, entenderam que deveriam fazer acima de dez filhos aumentando a população negra, criaram um “cinema negro” ainda na década de 1970 e apresentaram atores negros que se tornaram ícones da filmografia americana, ao contrário do nosso atrasado e subdesenvolvido cinema que só apresenta o nosso negro como favelado, ladrão de galinhas, assaltante e depravado comendo sorrateiramente no fundo da cozinha dos brancos.
    Lá, fizeram mais, elegeram na mais poderosa potencia do mundo um negro que se tornou presidente. Aqui, não votamos em negros. Nossa polícia baiana é composta em mais de noventa por cento de negros que matam e assassinam negros como se fossem formigas, a serviço das classes privilegiadas, continuando ou mais escravizados quanto o senhor branco. Negro na verdade não gosta de negro, deixa-se matar pela polícia baiana e não consegue, o que é pior, se revoltar e exigir seus direitos de cidadão.
      Pleno século 21 a luta terrível continua. Meu sonho de ver uma pátria fraterna parece distanciar-se num conformismo infame em que homens são separados pela cor da sua pele.
      Somos interessantes. Reconhecemos “racismo” no país, porém não temos “racistas”. Ninguém se manifesta enquanto o noticiário aponta humilhações. Até quando?
LEMBRE-SE: ANULE SEU VOTO. VOTO NÃO MUDA NADA. seu voto. Voto nada muda
Max Brandão Cirne 75) 8803-1829
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

MINISTRO JOAQUIM BARBOSA


     Tenho acompanhado o julgamento pelo Supremo Tribunal do chamado “mensalão”, desde que teve início. Confesso que com muita preocupação. Naquela paisagem de saberes jurídicos, uma figura cheia de preocupações sobressai sobre os demais pares. Trata-se do Ministro Joaquim Barbosa. Ele possui uma áurea de confiança e decência, preocupação e zelo pelo que se está apurando.
     Todas as vezes que o vejo, conforta-me a alma em saber que sua atuação séria e preocupada demonstra uma vontade de expurgar o país dos malandros que se encastelaram no poder e passaram a gerir a coisa pública como se deles, num patrimonialismo assombroso.
      Não vejo razão para o assombro da imprensa, ao atribuir que a linguagem rebuscada e gongórica dos senhores ministros parece coisa de outro planeta. Não. É mais fácil identificar a falta de conhecimentos linguisticos, pois sabido que no nosso país não mais se fala um português, não castiço porém, de mediana compreensão. A linguagem dos ministros é pautada no saber e no conhecimento da língua, além de ser, evidentemente, a linguagem dos técnicos e dos saberes que são detentores. Somos mobralizados, desconhecedores da língua, pelo que a imprensa se assombra diante da profundidade terminológica dos ministros.
     Ainda outro dia devorei, no Sarah, uma obra de famoso escrito português. Totalmente diferente do que falamos no Brasil. Quem estudou a língua de Camões e apreendeu conceitos básicos e fundamentais, decerto não sente dificuldades em compreender os senhores ministros. Ademais, eles se escudam em saberes técnicos, próprios do meio em que vivem e desenvolvem suas atividades. A questão de fundo é que nossas escolas não prepararam os brasileiros para a leitura, compreensão e interpretação dos significados. As escolas faliram. Se paga a um professor R$1.000,00 mensal enquanto a qualquer político, uma fortuna, que nem mesmo durante toda a vida ele receberia.
      Assim, têm razão alguns membros da imprensa em acusar o supremo de falar uma linguagem distante, eis que as faculdades não estão preparando profissionais capazes de interpretar termos mais rebuscados.
       O julgamento será frustrante, não pela ação de um Joaquim Barbosa. Altaneiro, disposto e corajoso o ministro tem se debruçado zelosamente enfrentando a má vontade de alguns que parecem incomodados com a sua firme e pragmática atuação. Há algo de confortante naquele homem. Sinto-me recompensado ao menos em vê-lo em ação. Viva Joaquim Barbosa.
       Por outro lado, os chamados mensaleiros terão ainda, caso sejam  condenados, outra instância para recorrerem que é o Tribunal Internacional de Justiça. Pois é, em caso de condenação as ratazanas que corroem o dinheiro púbico, terão além de recursos para o próprio supremo, também, a faculdade recursal para o tribunal internacional. Como nosso direito é feito para beneficiar criminosos, pode concluir que a prescrição alcançará a todos. E viva a impunidade brasileira. Republica das bananas esse Brasil!
     Mas, viva Joaquim Barbosa. Exemplo de independência e dignidade.
LEMBRE-SE: ANULE SEU VOTO.
Max Brandão Cirne 975) 8803-1829
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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

SARAH – O COLOSSO DO BEM.



       Estive internado no SARAH, unida de Salvador do dia 17 de julho até o dia 03 de agosto. Surpreendi-me enormemente diante do que ali encontrei. Puro exemplo de boa gestão, amor e dedicação. Pensava eu antes de ali chegar que se tratasse de mais um hospital público desses imundos e sem respeito aos pacientes.
       O SARAH é surpreendente não pelas suas instalações físicas, porém pelo tratamento. Não “fui antes porque pensava necessitar de “pistolões”, “o quem indicasse”, ou ainda de algum político com seus famigerados” bilhetinhos”.
        Em primeiro lugar o SARAH é um templo de dedicação e carinho dos seus servidores. Naquele colosso não vi, porque não existem ,placas indicando nem pedindo “silencio”. É dedicado à saúde. Seus corredores são devassados por homens e mulheres conscientizados de estarem quase cultuando como se num templo em si, novas perspectivas de vida e de convivência com ossos gastos, deslocados, cortados e defeituosos.
       Não se vê servidor com cara feia nem amarrada, os maus humores ficam de fora. Os enfermeiros e enfermeiras são verdadeiros anjos de proteção e carinho, aí incluindo as demais categorias de servidores. Logo pela manhã acordamos com o passaredo cantando em estridências matinais desfilando suas cantorias e plumagens de cores e matizes, indiferentes à presença humana, festejando, como se desassombradamente a vida a cada manhã. Há uma simbiose na cidade bruta ao permitir desabrochar um oásis e abrigo ao paciente.
      Os médicos e enfermeiros do SARAH possuem missões definidas de indicar os caminhos da filosofia da amenização das dores nos “pássaros feridos” que ali batem à porta em busca de cura e reposição das atrofiadas asas, novo alento para que reaprendam a “voar”.
       Há uma cumplicidade em tudo e em todos. Ninguém pergunta ao outro porque das muletas nem das cadeiras de rodas. Cúmplices parecem todos entenderem a luz diáfana da compreensão, da função e razão do hospital.
        Peço ao Senhor Deus que não permita que os abutres da política acabem com aquele lugar se imiscuindo aonde jamais deve ser permitido suas nocivas e destrutivas presenças. O SARAH é templo sagrado aonde se cultua o amor, a dedicação, o carinho e o desprendimento. E, diante da magnitude dos templos, só comporta o silencio e a reverencia dos verdadeiros cultores da crença. O SARAH é um templo. E os templos são lugares puros e sagrados aonde se cultua o BEM.
      Entrei com o pensamento de que seria operado. Ledo engano. Ali a cura é pela reeducação, pelo disciplinamento e pela disposição de se confiar nos ensinamentos emanados. Tornei-me um SARAHMANÍACO, posso dizer fanatizado diante de tanta bondade daquela gente cuja identificação é a dedicação respeitosa ao público.
      Sei de meia dúzia de nomes que deixo de citá-los, para evitar a injustiça de não nomeá-los a todos. Entretanto, julgo que devo, pelo menos falar num “grande enfermeiro” da enfermaria 06, José Domingos a quem nomeamos de “nossos anjos da guarda” onde fique, como representante dos demais anjos que nos atenderam.
      Quanto ao mais que viva o SARAH uns mil e duzentos anos.
Max Brandão Cirne
Tel (75) 8803-1829
      

domingo, 8 de julho de 2012

COMISSÃO MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA


       Sob a presidência de Luiza Erundina o seminário de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados se reuniu com transmissão pela TV Câmara, muitos cidadãos nacionais e estrangeiros para apurar os crimes da ditadura.
     Verdades doloridas estão sendo reveladas, como as de que a outra comissão chamada da “Verdade”, não tem demonstrado nenhum interesse, assim como tem participado dos debates ocorridos no aludido seminário.
      Já nos manifestamos sobre a Comissão da Verdade criada com a finalidade de trazer a público fatos ocorridos na noite negra do Brasil. Fato, é incompreensível que os membros daquela comissão ainda não se reuniram para apurar os fatos bem como parece não se mover para a apuração que a pátria reclama.
      Atuação suspeita pelo desinteresse e inércia, nega aos brasileiros passar a limpo os acontecimentos ocorridos, bem como permitir que a memória não seja apagada, a verdade não seja esclarecida e a justiça não se faça.
      Em total descompasso com o Tribunal Internacional e, diferentemente dos demais países envolvidos que apuraram e puniram os generais criminosos, o Brasil parece sofrer de letargia. Ainda esta semana um dos mais sanguinários generais, Jorge Rafael Videla do Chile, foi condenado há mais 50 anos pelas crianças arrancadas dos seus pais privados de liberdade e entregues aos seus asseclas e colaboradores.
     O período de 1946 até o governo militar de 64, nos parece longo em demasia. Ora, é sabido que o golpe foi dado pelos militares que o encabeçou coadjuvados por muitos civis. Por aí se vê que a ditadura sangrenta aqui instalada, evidentemente não pode ser de responsabilidade apenas dos militares.
      Por outro lado a famigerada “Operação condor” envolvendo Uruguai, Argentina, Chile e Paraguai, criada para suprimir as vidas dos dissidentes, sabe-se hoje, teve a supervisão e coordenação dos militares brasileiros que, sob as orientações da organização terrorista CIA deu total apoio logístico.
      Será preciso, ademais, que os governadores dos estados-membros sejam também responsabilizados, pois foi através deles que as populações foram caladas, suprimidos muitos, além de terem se enriquecido eles e seus familiares, devendo trazer a lume suas ações, pois os militares isoladamente não seriam capazes, sem a sua anuência, apoio incondicional e subserviente.
      A anistia deverá ser desconsiderada, por lhe faltar legitimidade, por ser auto anistia e por ter sido votada por um Congresso absolutamente dependente das orientações dos militares. Pretenderam se perdoar dos crimes que cometeram. É mais que vergonhosa a ação dos parlamentares do período, em que raras exceções aplaudiram entusiasticamente a chamada “redentora”. Além de perpetuarem crimes, criaram mecanismos como o de crimes conexos, o que é um absurdo jurídico, tratando qualquer delito como se fosse de natureza política.
      Não se trata de vingança, mas de justa reparação, devendo ser trazidos os fatos e aquele período ao conhecimento, pois é impossível que um país continue sem memória, as pessoas não tenham o verdadeiro alcance do quanto os delinqüentes, em nome do Estado Brasileiro praticaram sem medidas éticas, tudo para assegurar poder, dinheiro e fama à custa do povo.
     A famigerada Operação condor com todos os seus desdobramentos há de desvendar os crimes de nacionais e estrangeiros que foram suprimidos aqui e lá fora, como política de estado e de dominação, de supressão de dissidentes e dos que contestavam a ditadura.
     Servirá a apuração, para mudar os rumos da história. E, se em nada der, veremos a história ser reescrita nos seus pormenores, desmascarará muitos serviçais lambe-botas e seus parentes, cujos nomes serão execrados em letras garrafais. E isso em si já é uma punibilidade.
     Repito. Não acredito na tal Comissão da Verdade que até aqui não se manifestou, mesmo porque, alguns dos seus membros estão sendo acusados de suspeitos, não procuraram até o momento apurar nada, enquanto o tempo não lambe com os seus pijamas amaldiçoados, aqueles cabecilhas que trouxeram para o Brasil tanta dor e tanta infâmia em nome de uma doutrina de segurança nacional que, no final das contas, não passou de assegurar privilégios aos Estados Unidos da América.
      E que sirva de lição aos evangélicos, meus irmãos que coonestaram, pelo silencio, as infâmias da ditadura.
       Viva a Comissão de direitos Humanos. Dela se espera muito, em especial os socialistas e humanistas.
LEMBRE-SE: ANULE SEMPRE SEU VOTO.
MAX BRANDÃO CIRNE

     
     

domingo, 24 de junho de 2012

“CHUNCHA” O MALUCO BELEZA DE ITIÚBA


         
            Itiúba encravada no sertão da Bahia teve seus personagens hilários que proporcionaram muita gozação e riso. Um deles, muito famoso foi o velho “Chuncha”. Que figura engraçada!
            Morava na rua do alto na casa da senhora Belinha, na parte dos fundos. Era seu endereço. Como que para pagar o favor da comida e dormida, era seu costume ir às cercanias aonde apanhava enormes feixes de garranchos que deveriam servir para acender rudimentar fogão.
             Não tinha mulher nem filhos. Vestia-se de encardidas roupas, cabelos sempre crescidos, roupas em trapos que só as tirava para raros e eventuais banhos. Era um louco manso e de todos querido. Quando algum barbeiro resolvia cortar seu cabelo, era uma festa. Todo sorridente sentava-se na cadeira do barbeiro sendo tosquiado.
             Seu ponto preferido era o Bar Central do senhor Carlos Pires, bem no centro da cidade, onde ficava sentado sem aborrecer pessoas, e espertamente ficava a pedir “uma xícara de café” sob a promessa de que daria a mulher de certo cidadão do mais alto conceito moral da cidade.
             Seu pedido era sempre um pão e uma xícara de café. Não pedia dinheiro. Diria que se assemelhava a Diógenes, cognominado o Cínico, figura que vivia despojado morando num tonel, pelas ruas de Atenas. Diógenes era filósofo considerado e apontava os erros e desacertos dos homens do seu tempo. Muitas vezes Diógenes acendia uma vela e saia pelas ruas de Atenas, e, quando interrogado a razão da vela em pleno dia, dizia que estava procurando um homem decente.
             Chuncha vivia desprovido de fama. Era um louco manso que servia para que as crianças tirassem um “sarro” das suas piadas surradas e desengraçadas, especialmente dia da torrente de nomes feios e sujos que ele proferia. Poucos dentes,  sorria com a criançada, embora os adultos fossem os que mais provocavam o linguajar torpe do Chuncha.
            Bela figura a do Chuncha. A seu modo rude, passou pela vida deixando saudades e recordações das suas coisas impublicáveis que dizia, mas que fazia todos darem belas risadas. Viva o Chuncha de Itiúba.
Max Brandão Cirne (75) 8803-1829

QUEIXINHO – O BOM MALANDRO.




         Quem viveu em Itiúba sabe muito bem quem foi o “Queixinho”. Malandro assumido, “bom vivant”, jamais alguém soube ter ele exercido alguma função, desenvolvido um trabalho ou desprendido uma só gota de suor para ganhar o pão nosso de cada dia.
         Exímio jogador de sinuca, jogador de baralho e compulsivo malandro vinte e quatro horas, Queixinho era o protótipo do desocupado que fugia do trabalho como o diabo foge da cruz.
         Sabia fazer alguns truques de mágicas baratas como aquele de transformar papel em dinheiro. Cachacista juramentado, raramente era visto de cara limpa. Exercia as funções de “prendedor de louco”, toda vez que era solicitado pelo delegado e pelo soldado Zé de Souza, especialmente quando era para prender o louco Cassiano, negrão da tapera, que não respeitava, na sua loucura, a ninguém. Obedecia ao Queixinho como se fosse uma criancinha, deixando-se conduzir até o xadrez local.
         Muitas vezes o Queixinho era preso por arruaças e pequenos delitos. Como era um prestidigitador exímio, tão logo era preso, aparecia na cidade. Levava o cadeado do xadrez para mostrar a cidade. Um assombro. Xadrez nenhum o segurava. Pelo menos o de Itiúba. Todos diziam que o queixinho “tinha pauta com o demo”.
         Desavenças com certa família levou a que retalhassem o Queixinho a facão, bem alí na frente do Bar Central do senhor Carlos Pires. Escapou. Dizia-se que haviam lhe quebrado “a pauta e que sua madrinha catimbozeira” o havia esquecido e o desprotegido.
         Queixinho foi morar em Serrinha, cidade próxima. Vi-o poucas vezes, mas nem de longe se parecia com aquele malandro com certo romantismo dos meus tempos de criança. Apenas um homem que se lamentava da vida perdida e malbaratada que tivera. Nunca mais retornou para Itiúba.
         Os malandros não são eternos.
EMBRE-SE: ANULE SEMPRE SEU VOTO.
Max Brandão Cirne (75)8803-1829